Recitativo e ária para soprano: “In quali eccessi … Mi tradì quell’alma ingrata” (K. 540c)

- Número de Köchel
- K9 540c | K6 540c
- Gênero
- Ópera e música cênica
- Forma
- Árias, cenas, conjuntos e coros
- Tonalidade
- si♭ maior
- Data
- 30 de abril de 1788
- Local
- Viena
- Idade
- 32
O Recitativo strumentato e a ária “In quali eccessi … Mi tradì quell’alma ingrata” (K. 540c), de Mozart, formam uma cena de sua fase vienense tardia para soprano e orquestra, escrita em 1788 e transmitida como um acréscimo ligado à versão vienense de Don Giovanni. Em si bemol maior, a obra condensa o conflito característico de Donna Elvira — indignação, mágoa e compaixão — em um número compacto, mas de grande concentração teatral.
Contexto histórico
Em Viena, em 1788, Wolfgang Amadeus Mozart, então com 32 anos, retomava Don Giovanni, K. 527, para sua estreia vienense (7 de maio de 1788). O recitativo acompanhado e a ária “In quali eccessi … Mi tradì quell’alma ingrata” pertencem a esse contexto vienense e são amplamente identificados como uma nova cena de substituição ou inserção para Donna Elvira, composta para a soprano Caterina Cavalieri.[1][2] A peça é catalogada separadamente como K. 540c e vinculada, nos catálogos de referência modernos, à “segunda versão” de Don Giovanni.[3]
O que sobreviveu
O que sobreviveu é um recitativo acompanhado (recitativo strumentato) seguido diretamente por uma ária, ambos para soprano e orquestra, notados como uma cena autônoma em si bemol maior.[3] Dramaticamente, o texto contrapõe a indignação de Elvira (“In quali eccessi…”) ao doloroso recuo moral expresso na ária (“Mi tradì quell’alma ingrata”): a composição de Mozart acentua essa dualidade ao passar da retórica tensa e declamatória do recitativo para uma argumentação lírica mais desenvolvida na ária, na qual a linha vocal e os comentários da orquestra podem participar plenamente da contradição interior de Elvira.
Contexto musicológico
Embora seja frequentemente apresentada e gravada como “a ária vienense” de Donna Elvira, K. 540c ocupa uma posição um pouco à parte do texto principal da versão de Praga de Don Giovanni e, por isso, aparece em edições e catálogos com certo grau de separação bibliográfica.[1][3] Ouvida ao lado de outras obras operísticas de Mozart de sua fase vienense tardia, a peça revela seu interesse persistente — apesar das pressões financeiras e profissionais de 1788 — em conferir às personagens secundárias um perfil psicológico mais intenso, alcançado pela alternância precisa, dentro da cena, entre a urgência da fala e a introspecção melódica sustentada.
Fontes
[1] Wikipédia — Don Giovanni: data da estreia em Viena e observações sobre os números acrescentados, incluindo “Mi tradì quell’alma ingrata” (K. 540c), para Caterina Cavalieri.
[2] Wikipédia em francês — Caterina Cavalieri: identifica K. 540c como obra escrita para a remontagem vienense de Don Giovanni em 1788.
[3] Fundação Internacional Mozarteum (Catálogo Köchel Online) — verbete da obra KV 540c/a: tonalidade (si bemol maior) e relação com a “segunda versão” de Don Giovanni.