Catálogo Köchel · K. Anh.C 23.04

Sonata para violino em mi bemol maior (K. Anh.C 23.04)

Retrato inacabado de Mozart por Lange, 1782–83
Mozart, retrato inacabado de Joseph Lange, c. 1782–83
Número de Köchel
K9 Anh.C 23.04 | K6 Anh. C 23.04
Gênero
Música de câmara
Forma
Sonatas e variações para violino
Tonalidade
mi♭ maior
Data
1784

A Sonata para violino em mi bemol maior (K. Anh.C 23.04), por vezes transmitida como “K. 58”, é uma sonata para teclado e violino do século XVIII cuja atribuição a Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791) é hoje rejeitada pelos catálogos modernos. Registrada com a data provisória de 1784, ela sobrevive sem um manuscrito autógrafo conhecido e deve ser apreciada como uma pequena e atraente obra para duo, em três movimentos, de autor não identificado.

Contexto histórico

A Sonata em mi bemol maior (K. Anh.C 23.04) foi preservada como uma obra existente para violino e teclado (originalmente clav) e é descrita explicitamente na base de dados Köchel do Mozarteum como “incorretamente atribuída” a Mozart, com a data sugerida de 1784 e proveniência desconhecida. Sua transmissão inclui cópias e edições impressas do final do século XVIII e início do XIX, entre elas uma edição antiga de 1799 e uma edição de Leipzig publicada pela Breitkopf & Härtel em 1804 — circunstâncias que condizem com a longa circulação da peça na “órbita” de Mozart, apesar da perda (ou ausência) de qualquer prova manuscrita autógrafa. [1]

Se a data “1784” fosse tomada ao pé da letra, a obra estaria situada em um dos períodos de maior atividade de Mozart em Viena — quando suas sonatas maduras para violino e a escrita de maior fôlego para teclado revelavam um tratamento marcadamente pessoal do diálogo, da harmonia e dos registros. No entanto, nada na documentação sobrevivente vincula esta sonata com segurança ao círculo vienense de Mozart; a interpretação mais prudente é considerá-la um exemplo do tipo de duo comercialmente atraente, conduzido pelo teclado, que editores e copistas prontamente faziam circular sob nomes famosos. [1]

Caráter musical

Na partitura, K. Anh.C 23.04 apresenta uma estrutura compacta em três movimentos:

  • I. Adagio
  • II. Menuetto. Moderato
  • III. Rondo. Allegro assai [1]

A instrumentação segue a formação habitual para duos do final do século XVIII: teclado com acompanhamento de violino — ou, no resumo do IMSLP, “piano e violino” —, com o violino sobretudo reforçando, respondendo e ornamentando discretamente o discurso do teclado, em vez de assumir constantemente o papel principal. [1] [2]

O Adagio inicial privilegia uma escrita cantabile sem pressa, apropriada à prática musical doméstica; o Menuetto assume um andamento comedido e cortesão; e o Rondo final (Allegro assai) passa a um fraseado periódico mais leve, com refrães recorrentes. Em conjunto, a sequência se assemelha menos a uma obra de concerto dramática do que a uma série de peças de caráter bem equilibradas — agradáveis, de escrita idiomática e deliberadamente modestas em suas dimensões. Isso talvez ajude a explicar por que a sonata continuou a ser publicada mesmo quando sua autoria passou a ser posta em dúvida. [1] [2]

Fontes

[1] International Mozarteum Foundation (Köchel Verzeichnis): verbete da obra K. Anh.C 23.04, incluindo situação da autenticidade, datação, instrumentação e lista de movimentos.

[2] Página da obra no IMSLP: Violin Sonata in E-flat major, K.58/Anh.C 23.04 — observação sobre a autoria e dados básicos (movimentos e instrumentação).