
- Número de Köchel
- K9 589a | K6 589a
- Gênero
- Música de câmara
- Forma
- Quartetos de cordas e quartetos de sopros
- Tonalidade
- si♭ maior
- Data
- Maio 1790
- Local
- Viena
- Idade
- 26
O Movimento para quinteto de cordas em si bemol maior (K. 589a), de Mozart, chegou até nós como um breve Allegretto autônomo — um movimento suplementar cuja associação mais plausível é com os últimos quartetos «prussianos», especialmente o Quarteto de Cordas em fá maior, K. 590. O fragmento é modesto em escala, mas oferece uma visão clara da habilidade de Mozart na escrita conversacional para cordas do final do período clássico.
Contexto histórico
Mozart parece ter esboçado este Allegretto em si bemol maior como movimento adicional para uma textura de cinco partes de cordas (2 violinos, 2 violas e violoncelo), e os catálogos modernos o associam diretamente ao Quarteto de Cordas nº 23 em fá maior, K. 590 — isto é, como material destinado a ser usado «em conjunto» com esse quarteto, e não como um quinteto independente publicado.[1] O texto musical preservado é breve (duas páginas de notação na reprodução que circula habitualmente), o que ajuda a explicar sua posição periférica tanto nas apresentações quanto na pesquisa musicológica.[2]
Embora referências mais antigas por vezes indiquem uma data anterior em Viena, a ligação documentada da obra com K. 590 aponta mais naturalmente para o universo da música de câmara da última fase vienense de Mozart — quando ele escrevia com especial sensibilidade para as cordas graves e para a superfície refinada e «cortesã» do estilo de quarteto.[1]
Caráter musical
A indicação de andamento do movimento (Allegretto) e sua tonalidade de si bemol maior o situam entre as expressões mais amáveis e espontâneas de Mozart: um caráter cantabile, de andamento moderado, e não um Allegro dramático.[2] O que mais chama a atenção na partitura é a textura: em vez de tratar a viola adicional como mero reforço sonoro, Mozart escreve uma verdadeira trama de quinteto, na qual as vozes intermediárias podem responder à melodia, sustentá-la ou imitá-la discretamente — abordagem familiar em seus quintetos de cordas da maturidade, que intensifica a sensação de «conversa» mesmo em um trecho curto.
Se K. 589a foi de fato esboçado como movimento alternativo ou passível de inserção junto a K. 590, suas dimensões fazem sentido musicalmente: ele pode funcionar como um gracioso episódio à maneira de um intermezzo, ampliando para cinco partes a paleta do quarteto sem alterar o tom geral da escrita camerística equilibrada do Mozart tardio.[1]
Fontes
[1] Wikipedia: verbete do catálogo Köchel que relaciona K. 589a como movimento para quinteto de cordas em si bemol maior «em conjunto com K. 590», com informações sobre a datação.
[2] IMSLP: página da obra K.Anh.68/589a (reprodução da partitura e dados de publicação da NMA), com indicação da tonalidade e da extensão preservada.