Partituras para piano de Mozart

Poucos compositores deixaram uma biblioteca pianística tão vasta e capaz de oferecer descobertas sem fim quanto Wolfgang Amadeus Mozart. Ao longo de dezoito sonatas, vinte e sete concertos, quinze conjuntos de variações e dezenas de fantasias, rondós, minuetos e danças, sua produção para teclado abrange toda a gama da expressão humana — e quase todos os níveis de exigência técnica.

Partituras
Foto de Darius no Unsplash.

Mozart foi o prodígio do teclado de sua época. Suas primeiras composições — pequenos minuetos e allegros preservados no caderno de sua irmã (o Nannerl Notenbuch, 1761) — datam de quando tinha cinco anos. Ele cresceu tocando cravo e clavicórdio — o piano moderno ainda estava encontrando sua própria voz —, mas, ao conhecer os fortepianos de Johann Andreas Stein em Augsburg, em 1777, ficou encantado. “De qualquer maneira que eu toque as teclas, o som é sempre uniforme”, escreveu ao pai, elogiando o toque e a resposta do instrumento.¹ A partir daí, o piano tornou-se seu instrumento. A maioria de suas maiores obras para teclado foi composta para ele mesmo interpretar em seus próprios concertos por assinatura em Viena, onde atuava, ao mesmo tempo, como compositor, solista e empresário.

As sonatas para piano solo, de K. 279 a K. 576, formam a espinha dorsal do catálogo Veja todas as obras para piano de Mozart em nosso catálogo Köchel. Elas vão desde a delicada Sonata em dó maior K. 545 — que o próprio Mozart descreveu como “uma pequena sonata para teclado para iniciantes” — até a tempestuosa em lá menor K. 310 e a sempre popular K. 331, cujo final Rondo alla Turca é uma das melodias mais reconhecíveis da música clássica. Os vinte e sete concertos para piano constituem o maior corpo de escrita concertante antes de Beethoven: o demoníaco em ré menor K. 466, o radiante em dó maior K. 467 (apelidado “Elvira Madigan” por causa do filme sueco de 1967 que usou seu movimento lento) e o luminoso em lá maior K. 488 são apenas três marcos entre muitos nos Concertos para Piano de Mozart. E há ainda as joias avulsas — a assombrosa Fantasia em ré menor K. 397, o profundamente pessoal Rondó em lá menor K. 511 e as queridas Doze Variações sobre “Ah, vous dirai-je, Maman” K. 265, conhecidas pela maior parte do mundo como “Brilha, brilha, estrelinha”. Para quem está começando, as miniaturas do Nannerl Notenbuch (K. 1a–K. 5) e a K. 545 são passos iniciais ideais As peças mais fáceis de Mozart para começar.

Escolher uma edição faz diferença. Pianistas mais exigentes geralmente recorrem à Henle Urtext — o padrão acadêmico, com níveis de dificuldade numa escala de 1 a 9 — ou à Bärenreiter, cujas edições práticas derivam diretamente da Neue Mozart-Ausgabe, a monumental edição crítica das obras completas de Mozart.

As edições Alfred Masterwork oferecem uma alternativa mais acessível, imprimindo sugestões editoriais em cinza para que as marcações originais do compositor permaneçam claras. As opções digitais são muitas: a Virtual Sheet Music oferece edições para download, enquanto a Fundação Mozarteum disponibiliza a Neue Mozart-Ausgabe inteira gratuitamente em dme.mozarteum.at — cerca de 35.000 páginas de partituras de edição crítica, ao alcance de qualquer pessoa com acesso à internet Henle vs. Bärenreiter: qual edição comprar?.

Seja você alguém que vai se sentar diante da K. 545 pela primeira vez ou que retorna aos concertos depois de anos distante, a música para piano de Mozart encontra você onde você está — e nunca deixa de revelar algo novo.

Fontes

¹ Carta de Mozart a Leopold Mozart, de 17 de outubro de 1777, escrita em Augsburg (tradução de Emily Anderson).